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Saída de brasileiros do país faz crescer a demanda por imóveis em Curitiba

08/08/2018 / Categorias Mercado imobiliário

Nos últimos sete anos, mais de 80 mil brasileiros foram morar em outro país, segundo dados da Receita Federal, contabilizando um crescimento superior a 160% dessa emigração no período. Enquanto, em 2011, 8.170 pessoas entregaram a declaração de saída definitiva no país, no ano passado, foram aproximadamente 22 mil. Movimento que promete se intensificar: um recente estudo realizado pelo Datafolha revela que, se pudessem, 43% dos brasileiros iriam embora do país, principalmente para Estados Unidos e Portugal.

Os efeitos desse êxodo já podem ser sentidos no mercado imobiliário. De acordo com a diretora da Senzala Imóveis, Augusta Coutinho Loch, 20% da carteira de imóveis residenciais para locação ou venda da imobiliária curitibana são de proprietários que foram morar um outro país. “Em busca de mais segurança causada pela instabilidade política do país, muitos brasileiros estão saindo da sua terra natal para morar nos Estados Unidos, Canadá ou nos países europeus. Nessa transição, acabam deixando o imóvel que moram hoje para locação ou venda”, explica.

Augusta diz que esse público não é mais formado somente pelos jovens solteiros buscando uma vida financeira melhor no exterior: “são casais com idade entre 30 e 40 anos, com ou sem filhos, que procuram qualidade de vida”. A pesquisa do Datafolha revelou ainda que 50% dos brasileiros com idade entre 25 a 34 anos e 44% dos com idade entre 35 a 44 anos deseja sair do país. O estudo compreendeu 2.090 entrevistas em 129 municípios de todas as regiões, de 9 a 14/5/2018, com brasileiros de 16 anos ou mais. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Como consequência, Augusta diz que os imóveis angariados são maiores: apartamentos com 3 quartos e sobrados ou casas em condomínio fechado, em diversos bairros de Curitiba. “Primeiramente, a maioria desses imóveis são alugados. Com a estabilização das famílias brasileiras no seu país de destino, os proprietários optam por colocar o imóvel para venda, garantindo o princípio de preferência do inquilino e depois abrindo para outros interessados”, explica.

É o caso da empresária Rafaela Cunha, 30 anos, que mora há três anos em Portugal. Em busca de mais segurança, ela e o marido se prepararam por um ano para fazer a mudança. “Tínhamos acabado de casar e escolhemos começar a vida em outro país. Escolhemos um país europeu porque meu marido tem cidadania italiana, o que facilitava a legalização”, revela.

Rafaela conta que, apesar das dificuldades em ficar longe da família e começar praticamente do zero em um país sem contatos pessoais e profissionais, as melhores condições de saúde e de escolas para os filhos que o casal pretende ter pesaram mais. Nessa mudança, o casal deixou o apartamento que tinha no Bigorrilho para locação. “Deixei o imóvel para alugar em função da crise que havia na época, mas a minha ideia é futuramente colocá-lo à venda”, comenta.

Deixar para alugar o sobrado no bairro Vista Alegre, em Curitiba, também foi a opção da engenheira florestal Gabriela de Lima Meggetto, 32 anos, que em maio desse ano mudou com o marido para Portugal. “Deixamos o imóvel para locação, pois, ele ainda está financiado e com o valor do aluguel paga-se a parcela do financiamento”, afirma.

Mesmo em um bom momento da carreira, o casal decidiu deixar o país em busca de segurança e para morar numa região litorânea com boa estrutura e qualidade de vida. “A adaptação tem sido boa, pois, o idioma é o mesmo, o que facilita muito. Ainda que recente, a vivência está sendo ótima. Portugal é um país em crescimento”, comenta Gabriela.

A diretora da Senzala Imóveis comenta que foi necessário adaptar o procedimento de intermediação imobiliária para atendimento dos proprietários. “Em função da distância, os proprietários geralmente nomeiam um procurador no Brasil para assinatura do contrato de locação ou de compra e venda. Nós fazemos o pagamento em moeda corrente nacional, mas a tributação entre os países é diferente, por isso, conta com um sistema desenvolvido de forma customizada para cálculo e transferência aos proprietários”, explica Augusta.

Se há a previsão de regressar ao Brasil? Essa não parece ser uma opção. “No momento não, mas não digo que isso possa mudar. Talvez depois de ter filhos eu queira estar mais perto dos familiares, apesar de ter me mudado justamente pensando em dar um futuro melhor para eles”, diz Rafaela. “Não tenho essa pretensão, pois, acredito que terei condições bem melhores de vida aqui do que jamais teria no Brasil”, responde Gabriela.

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