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Abecip: Medidas do BC estimulam concorrência no crédito imobiliária

06/08/2018 / Categorias Mercado imobiliário

As mudanças na regulamentação do crédito imobiliário, anunciadas nesta semana pelo Banco Central (BC), são uma espécie de "test drive" de um mercado mais livre e podem atrair novos competidores. A afirmação é de Gilberto Duarte de Abreu Filho, presidente da Abecip, associação das instituições financeiras que atuam no setor.

"Não acabam com o direcionamento [de recurso da poupança], mas trazem uma liberdade maior, e ajudam a ver como o mercado pode funcionar, lá na frente, de forma mais livre", diz Abreu. "Os bancos vão poder ser mais criativos nos produtos. Hoje, a oferta é muito pasteurizada", afirma. O executivo ainda não havia se manifestado desde o anúncio das regras, na terça-feira.

A partir do início do ano que vem, os bancos não precisarão mais destinar 80% do funding imobiliário da poupança para operações no Sistema Financeiro da Habitação (SFH), em que o comprador utiliza recursos de sua conta no FGTS. Em vez disso, a alocação terá de ser de pelo menos 80% para o financiamento de imóveis residenciais.

Ao mesmo tempo, elevou de forma definitiva para R$ 1,5 milhão o valor dos imóveis que poderão ter parte do pagamento feita com a conta do FGTS.

Segundo Abreu, essa combinação vai permitir que os bancos atendam um número maior de clientes e enquadrem mais operações nos critérios de exigibilidade para os recursos da poupança. "Isso puxa a cadeia como um todo", diz.

O presidente da Abecip também afirma que a concorrência no mercado de crédito imobiliário deve aumentar, já que o BC acabou com a obrigatoriedade de uso da Taxa Referencial (TR) na atualização dos contratos fora do SFH.

Isso significa, na prática, que novos bancos ou fintechs poderão oferecer financiamento imobiliário mesmo sem ter captações de poupança. "Vai ter mais gente querendo fazer", diz.

O BC estima que as medidas injetarão R$ 80 bilhões no mercado nos próximos anos, num momento em que o setor já tem uma "sobra" de funding de cerca de R$ 100 bilhões.

Segundo Abreu, é possível que o volume excedente até diminua com a ajuda das novas regras. Isso porque a ampliação do teto para uso do FGTS deve estimular mais pessoas a fazer transações imobiliárias. Em outra frente, os bancos terão mais incentivo para emprestar a clientes em busca de imóveis de até R$ 500 mil, hoje não tão atraentes.

Para o presidente da Abecip, as mudanças são positivas para toda a cadeia. Abrangem mais diretamente o crédito à pessoa física, mas ao estimular o mercado vão beneficiar também as empresas do setor.

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